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Apresentação
De Revolutionibus

As reações às idéias expostas no Commentariolus foram positivas, e não houveram, por parte da Igreja, críticas ou censuras. Ao contrário, muitos foram os que incentivaram Copérnico a publicar suas idéias. Mas o Commentariolus não era uma obra completa, pois Copénico não descrevia nele todos os detalhados cálculos e tabelas que o levaram aos resultados apresentados. Era necessária uma obra elaborada e matemática, que descrevesse com detalhes os fenômenos e sustentasse o modelo proposto. Acredita-se que por volta de 1930, Nicolau Copérnico finalizou o "De Revolutionibus". Porém, Copérnico não publica sua obra imediatamente. Mas tão pouco toma precauções para ocultá-la totalmente, enviando tabelas com dados astronômicos, porém, ocultando os métodos que o levaram a obtê-los.

Erra aquele que acredita que Copérnico temia a reação da Igreja. Em 1533, Johann Widmanstadt expôs, em Roma, as bases da nova astronomia de Copérnico ao Papa Clemente VII (baseado, provavelmente, no Commentariolus). A reação foi positiva. Em 1536, o arcebispo de Capua, Nicolau Schönberg, escreve uma carta para Copérnico, incentivando-o a publicar seus trabalhos. Mas Copérnico ainda hesita em publica-los.

Em 1539, o jovem professor da Universidade de Wittemberg, Georg Joachim Rético (1514-1574), chega à Frauenburg com o interesse de saber até onde Copérnico havia chegado em seus estudos. Foi bem recebido por Copérnico, e estudou por longo período os manuscritos do De Revolutionibus, vindo a publicar em 1541 a obra Narratio Prima, onde apresentava uma resumida exposição do sistema de Copérnico, e algumas notícias biográficas sobre este último. A obra de Rético pode ser entendida como um corpo de prova para a obra de Copérnico, e rendeu reações muitos favoráveis. Já não havia mais razões para Copérnico não publicar seu trabalho.

O manuscrito foi enviado a um amigo de Copérnico, Tiedemann Giese, que o remeteu para Rético, que se incumbiu de acompanhar a imprressão da obra em Nuremberg. Porém, em 1542, Rético precisou se deslocar para Leipzig, deixando a responsabilidade de acompanhar a publicação da obra para seu amigo Andreas Osiander. Osiander era um teólogo luterano que sustentava a idéia de que a astronomia tinha por finalidade "salvar os fenômenos", ou seja, relacionar aos fenômenos observáveis hipóteses que permitissem descrever as posições dos astros sem buscar causas desconhecidas nem a razão real dos movimentos dos planetas. Com o intuito de expor essa idéia, Osiander incluiu na obra de Copérnico sua "Carta ao Leitor", que nas primeiras edições da obra nao trazia assinatura, o que levava a crer que a carta havia sido escrita pelo próprio Copérnico. Tiedemann Giese, ao saber da intenção de Osiander, apelou para as autoridades de Nuremberg e a Rético, com a intenção de impedir a publicação da carta, mas esta foi incorporada à obra.

Além da Carta ao Leitor, a obra trás a carta enviada pelo cardeal de Capua a Copérnico, bem como uma carta dedicatória de Copérnico ao Papa Paulo III. A obra foi publicada em 1543 em Nuremberg, e Copérnico recebeu um exemplar da obra horas antes de sua morte, em Frauenburg.


De Revolutionibus

As críticas que Copérnico dirigidas na obra aos modelos Ptolomaios da astronomia antiga referem-se à incapacidade desses modelos manterem-se fiéis ao princípio do movimento circular, o que significava para Copérnico que esses modelos eram fisicamente impossíveis. Portanto, Copérnico segue as idéias principais expostas no Commentariolus no que se refere às ferramentas usadas para descrever os movimentos dos planetas. Apresenta a oposição entre movimento natural e movimento violento, atribuindo ao movimento circular o padrão natural. Defende a idéia de que uma mecânica celeste só poderá ser verdadeira se for baseada apenas em movimentos circulares.

Porém, a física admitida por Copérnico era insuficiente para explicar a totalidade dos fenômenos observáveis. Ele constrói uma física geométrica e óptica: o que determinava o movimento circular dos corpos era sua forma geométrica, ou seja, seu padrão esférico. Sendo a forma esférica a mais perfeita, tende a levar consigo o movimento mais perfeito o circular (dinâmica herdada de Nicolas de Cusa). Por isso, Copérnico insiste na forma esférica da Terra.

Quanto à posição do Sol ao centro, podemos afirmar que não desempenhava papel nenhum na mecânica celeste de Copérnico. Sua função é óptica, com certo lirismo, pois ilumina e esclarece o Universo, segundo Copérnico. E para essa função, a posição central é privilegiada.

Copérnico apresenta a ordem dos orbes, com o Sol, estático, no centro, seguido das órbitas de Mercúrio e Vênus. Depois vem a órbita da Terra, que arrasta o planeta e a Lua, esta girando em torno da Terra. E então aparecem as órbitas de Marte, Júpiter e Saturno. E distante de todas as outras órbitas, encontra-se a esfera das estrelas fixas, estática.


Diagrama presente na obra

O Universo de Copérnico, embora muito maior, é tão finito quanto o de Aristóteles, contido todo ele no interior da esfera das estrelas fixas. Copérnico atribui a essa esfera um tamanho infinitamente maior do que a distância entre o Sol e a Terra como única maneira de explicar o fato de se poder ver da Terra metade do zodíaco.

No que diz respeito aos dados astronômicos, Copérnico apenas melhora a precisão de algumas medidas, e não desenvolve novas observações. A mudança de referencial, com o Sol no centro, permitiu que Copérnico apenas desenvolvesse um rearranjo dos dados já conhecidos.

Copérnico monta então uma obra elaborada, com uma matemática sofisticada, mas que não mantém mais a simplicidade que trazia em seu Commentariolus. Ao fim da obra percebe-se que Copérnico acabou utilizando 48 círculos para descrever o movimento dos planetas, contra 40 círculos utilizados por Ptolomeu. E que Copérnico não foi capaz de desenvolver uma dinâmica nova que pudesse confirmar e resolver outras questões referentes aos movimentos da Terra.

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