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Revolução Científica

Os principais acontecimentos, invenções e obras que definiram o período e que transformaram a história da Humanidade.

 

O que foi?

Costuma-se chamar de Revolução Científica o período, entre os anos de 1550 e 1700, aproximadamente, no qual mudanças históricas na forma de pensamento e de fé ocorreram na Europa. Pode-se dizer que ela teve início com Nicolau Copérnico (1473-1543), que propôs o modelo heliocêntrico, e terminou com Issac Newton (1642-1727), que formulou Leis universais da natureza e foi um dos fundadores do Cálculo.

 

Para termos uma idéia da transformação que se deu, perceba o seguinte: o pensamento no século XVI sobre a composição da matéria ainda se baseava na visão Aristotélica das quatro quantidades básicas: a Terra, o Fogo, a Água e o Ar. Entretanto, já os contemporâneos de Newton acreditavam que a matéria era formada de pequenas partículas (átomos ou corpúsculos), que a Terra se movia e também que o conhecimento deveria estar baseado na experiência individual, ou seja, em argumentos e evidências sensoriais. A Royal Society of London dizia “Nullius in Verba”, algo como “Não aceite nada baseado em palavras (ou na autoridade de alguém)”.

 

Início:

É praticamente um senso comum que o acontecimento inicial da Revolução Científica foi a declaração de Copérnico de que a Terra se move e não está no centro do Universo. É claro que isso ia contra a tradição estabelecida nas Universidades e na Igreja. A partir dessa declaração de Copérnico se desenrolou uma série de novos acontecimentos necessários para dar suporte a essa nova visão e substituir as antigas crenças. Tycho Brahe (1546-1601) foi o responsável por novas observações astronômicas, que foram seguidas de mudanças teóricas na previsão das órbitas e dos movimentos dos planetas introduzidas por Johannes Kepler (1571-1630). Também surgiram novas propostas de teorias do movimento: Galileo Galilei (1564-1642), René Descartes (1596-1650), Christiaan Huygens (1629-1695) e Issac Newton (1642-1727).

 

...”the 'Newtonian Synthesis' marked the shift from a closed, finite, hierarchical, qualitative cosmos to an infinite, homogeneous, quantitative universe. This change signaled that all things were one. There is one kind of matter, one set of laws, one kind of space, one kind of time. Everything is always and everywhere the same: Space, Time, Matter, Cause. Hence the very word: Universe.” – Citação tirada do Link 1.

O Nome:

O termo “Revolução Científica” não era usado comumente até 1939 quando o historiador francês Alexande Koyré passou a utilizá-lo para designar o período. Apesar de muitas das pessoas que fizeram a revolução científica expressarem a sua intenção de trazer à tona uma mudança intelectual radical, eles não usavam um termo para se referirem ao que eles estava fazendo. Desde a antiguidade até o período que marcou o início da Revolução Científica, a palavra “revolução” invocava a idéia de um ciclo periódico. No sistema astronômico de Copérnico, por exemplo, os planetas executavam revoluções ao redor do Sol. A idéia de revolução como uma mudança radical e irreversível data do século XVIII de escritos do Iluminismo Francês.

 

 

A Natureza Universal:

Um dos principais avanços que a Revolução Científica trouxe, ou estabeleceu, foi a percepção de que estudando a natureza na Terra, estamos conhecendo como ela é no Universo todo. Isso se torna evidente, principalmente, quando Newton estabelece uma lei para a gravitação que explicaria não só movimentos de corpos terrestres (a maçã caindo da árvore, por exemplo), mas também o movimento da Lua ao redor da Terra e dos planetas ao redor do Sol.

 

Um dos principais fatos que contribuíram para essa mudança de visão foi a observação feita por Galileo, por volta do ano de 1610, das manchas solares. Ele verificou que as manchas eram irregulares e variavam diariamente em número e na opacidade. Além disso, elas pareciam não serem estacionárias e se moverem pelo disco solar do oeste para o leste. Pessoas da época reclamaram que essas manchas deveriam ser pequenos planetas orbitando o Sol a uma certa distância. Galileo, porém, afirmava, baseado em seus cálculos, que elas não poderiam estar distantes da superfície solar.

 

Ainda mais do que a sua observação, a interpretação de Galileo das manchas solares foi uma grande oposição à filosofia natural tradicional, que vinha desde o tempo de Aristóteles. Isso porque essa, outras observações e argumentos teóricos questionavam a distinção Aristoteliana entre a física dos Céus e da Terra. Na região acima da Lua, eles diziam que não ocorriam mudanças nem imperfeições, diferentemente do que ocorria na Terra e na região entre a Terra e a Lua. Por essa razão eles consideravam que os cometas, objetos irregulares e em movimento, estavam ou na atmosfera da Terra ou no máximo na região entre a Terra e a Lua. Portanto, nessa visão era impossível que o Sol tivesse manchas ou fosse mutável. Galileo argumentou contra isso dizendo que não podíamos tomar como premissa indubitável a perfeição do Sol. Em suas próprias palavras:

 

“It proves nothing to say... that it is unbelievable for dark spots to exist in the sun because the sun is a most lucid body. So long as men were in fact obliged to call the sun “most pure and lucid”, no shadows or impurities whatever had been perceived in it; but now it shows itself to us as partly impure and spotty, why should we not call it “spotted and not pure?” For names and attributes must be accommodated to the essence of things, and not the essence to the names, since things come first and names afterwards.” Galileo.

 

Dessa forma Galileo estava se lançando contra a crença tradicional sobre a estrutura da natureza, argumentando que a doutrina ortodoxa deveria ser “testada” por observações confiáveis e deduções matemáticas.

 

“Galileo implied that studying the properties and motions of ordinary earthly bodies could afford understanding of what nature was like universally. It was not just that the imperfections and changeability of things on earth could be recruited for understanding celestial phenomena; modern natural philosophers also claimed that earthly effects artificially produced by humans’ beings could legitimately serve as tokens of how things were in nature. The motion of a cannonball could serve as a model for the motion of Venus.” – Trecho tirado do livro Scientific Revolution, Steven Shapin.

 

 

Esta página foi desenvolvida como trabalho da disciplina História da Física (F 061/F 062), durante o 2º semestre de 2005.

Felipe Lourenço, RA: 016035.