Maria Sibylla Merian. Metamorphosis insectorum Surinamensium (1705)
Maria Sibylla Merian (1647-1717). Metamorphosis insectorum Surinamensium (1730)
Art Forms of Nature de Ernst Haeckel (1899)
Frontispício de Evidence As To Man's Place in Nature de Thomas Henry Huxley (1863)
Henri Poincaré (1854-1912)
William Watson. Experiments and observations tending to illustrate the nature and properties of electricity (1748)
Gerador eletrostático desenvolvido por Jean Antoine Nollet
Manuscrito de Isaac Newton "Of colours" (1665-66)
Alfred Russell em viagem pelos Rio Negro e Amazonas (1853)
Experimento das "Esferas de Magdeburg" de Otto von Guericke (1654)

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Sobre o Rinoceronte Dürer

Escolhemos como símbolo para o Grupo de História e Teoria da Ciência um famoso desenho de Albrecht Dürer (1471-1528), datado de 1515. O rinoceronte de Dürer é um marco da iconografia científica. Até o século XV, os desenhos de animais e outros objetos naturais eram pouco detalhados, não possuíam perspectiva e davam uma fraca idéia do original. Dürer e outros artistas conseguiram transformar totalmente a representação da natureza.

O caso deste desenho é extremamente curioso. Dürer jamais viu um rinoceronte ao vivo. Não era comum aparecerem rinocerontes na Europa, mas em 1515 o rei Manuel I de Portugal havia trazido um da Índia (assim como um elefante), e a notícia causou grande impacto. Os dois animais foram enviados de Lisboa para Roma, de navio, como presente para o papa Leão X, mas o navio com o rinoceronte afundou, e o animal morreu. Dürer realizou seu desenho baseado em um esboço feito por um português, conseguindo apesar disso dar à figura uma aparência real, viva, tridimensional.
 
O desenho não representa de modo totalmente correto o animal. Dürer, baseando-se em sua fonte, desenhou o corpo do animal como se fosse coberto por placas duras (um tipo de armadura) e colocou nas costas do rinoceronte um pequeno chifre que aponta para a frente, que não existe. O serrilhado na parte de trás do animal também não existe, as patas são um pouco diferentes, não possuem escamas, etc. Apesar disso, o desenho é extraordinário, e foi reproduzido como se fosse uma autêntica representação do rinoceronte, até o século XIX.

Para comparação, apresentamos ao lado um desenho mais fiel, publicado na Histoire naturelle de Buffon, em meados do século XVIII.
 
Abaixo, apresentamos dois desenhos medievais típicos, de bestiários, representando um "monoceros" e dois elefantes. A diferença de qualidade em relação ao desenho de Dürer é evidente!